Quem dera poder me despir de mim mesma e tirar um tempo desse turbilhão de coisas que se passam aqui dentro.

Quem dera poder matar essa saudade de mim, que já me perdi e me achei inúmeras vezes.

Em meio os choros, as crises, aos surtos.

Hoje nem a sombra que eu carrego tem vestígios de quem já fui um dia.

Perdi a vontade.

Perdi o interesse.

Perdi o tesão.

Alguém ainda me vê?

Perdi as contas de quantas vezes me olhei no espelho e não me reconheci. “Essa não sou eu!”

Será que exagerei nas válvulas de escape?

Talvez eu não esteja me procurando o suficiente.

Quem dera poder me afastar de tudo.

Daquilo que faz com que eu me sinta ainda mais distante de mim… Eu mesma.

Por que é tão difícil se responsabilizar pelo próprio sofrimento?

Quem dera poder voltar naquele instante que você partiu, quem sabe assim eu pudesse ter feito diferente, talvez assim você não tivesse ido embora… E por Deus, como eu desejei isso.

Será que foi ali que eu parti também?

Quem dera poder sair desse papel de vítima que eu mesma me coloquei desde o dia que me deixei ser levada com você.

Não me perdôo por isso.

O quão difícil é se amar?

Tenho me abastecido de tristeza.

Um poço de melancolia.

Alguém? Por favor!

Quero sair desse looping infinito que eu criei.

Agora eu entendo.

Eu sou meu próprio monstro.

Hoje, sem saudade de você.

Sem saudade de mim.

O passado passou.

Enfim.

Onde estou?


N.


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